quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Preparação ao VI CONGRESSO DOS ESTUDANTES (Tese): Movimento Estudantil pela não renovação das Tropas do Haiti


No dia 10 o povo brasileiro também se manifestou.


No dia 10 de Outubro os trabalhadores e a Juventude, em várias cidades do país, se dirigiram a Lula para que ele não renovasse a permanência das tropas brasileiras no Haiti e que retirasse imediatamente todos os soldados.

Em convocatória aos trabalhadores de todos os países que têm tropas no Haiti, diversas organizações haitianas[1] afirmaram: “O Haiti não está em guerra com ninguém. Que os 40 governos que mantêm estes regimentos de ocupação, que custam anualmente 540 milhões de dólares (cifra publicada no site da MINUSTAH), retirem imediatamente seus regimentos, e, se quiserem verdadeiramente ajudar o povo haitiano, utilizem esses 540 milhões de dólares para substituir seus soldados por bombeiros, médicos, pessoal de segurança civil, técnicos, operários para reconstruir as estradas e toda a infra-estrutura destruída etc.”

E como forma de solidariedade e mobilização, solicitam: “Questionem seus governos, peçam aos presidentes da República de seus países, à Lula, Bachelet, Correa, Kirchner, Morales e Vasquez, para que não renovem o mandato das tropas de seus países e retirem imediatamente seus soldados do solo do Haiti, e que os substituam por pessoal civil na área da saúde, das comunicações, da construção etc. para ajudar o povo haitiano a reconstruir o país.”No dia 14 de Outubro, na contramão do apelo haitiano, o Conselho Geral da ONU (CGO) aprovou a renovação por um ano da missão de “”paz”” no Haiti. Porém o mais absurdo ocorreu quando o Presidente do Haiti, René Préval, solicitou que o Capítulo 7 da carta da ONU – que prevê o uso da força para impor a paz – fosse retirado, para garantir a segurança na população haitiana. O CGO porém, manteve o termo com a explicação mais absurda possível, a que o Haiti "continua a constituir uma ameaça à paz internacional e à segurança da região" (site Folha de São Paulo). Será que um país que é o mais pobre das Américas, que tem 3,4% da população com o vírus da Aids, que a expectativa de vida é de 52 anos (17 anos menor que a média na América Latina - 69 anos), que 80% da população vive abaixo da linha de pobreza, que 80% da população economicamente ativa está desempregada, que 47% da população é analfabeta, que a mortalidade infantil é de 73,4 mortos por mil nascidos vivos, que 75% das crianças não são vacinadas; oferece ameaça a paz mundial? Será que o CGO da ONU tem razão?Em diversas cidades e capitais do Brasil o povo brasileiro atendeu ao chamado das organizações haitianas e não se calaram diante do massacre que a população negra do Haiti está sofrendo. Será que é essa a política que o governo Lula deve aplicar? Não seria hora de dar um basta à submissão ao imperialismo dos EUA e defender a soberania de todos os países, como Lula fez em relação à Bolívia? Certamente é hora de aumentar as mobilizações e se dirigir ao Presidente afirmando que aqueles que o elegeram, não aceitam essa política.EM FORTALEZA ...Ex-soldado que esteve em solo haitiano diz: "Não existe missão de paz!" Ele tem 23 anos. Aos 18, foi enviado ao Haiti. Vamos, para preservá-lo, chamá-lo de Gabriel. Gabriel é uma das centenas de jovens enviados para integrar as tropas brasileiras de ocupação no Haiti. Em 2003, já no fim do serviço militar, foi destacado para integrar a missão brasileira naquele país. Primeiro foi deslocado para São Paulo para fazer treinamento de guerra. Já aí, Gabriel diz que muitos soldados perguntavam aos superiores: "se é uma missão de paz, para que o treinamento de guerra?" Para defender sua vida, era a resposta que recebiam. Já no Haiti, Gabriel constata que "não havia do que defender a vida, o povo haitiano não tem armas, nem é hostil". Na verdade, o treinamento "era para aprender a matar". Segundo o ex-soldado, as tropas são instruídas para atirar em qualquer um num raio de 10 metros, homens, mulheres e crianças, "às vezes mulheres com suas crianças de colo"."A única coisa que o povo quer é liberdade e o fim do governo imposto. Não existe missão de paz, só se for paz para o governo. A missão é de guerra." Gabriel não esconde que matou "pelas suas contas", 111 pessoas sob ordens superiores, todas por desrespeitarem a distância de 10 metros dos blindados da ONU, mas sabe que quem apertou o gatilho foi Bush e, infelizmente, Lula, como um dos presentes ao ato pela retirada das tropas realizado em Fortaleza, observou.. "O que o povo pode fazer contra os QTs (carros blindados)?" Para ele o massacre é político. Gabriel não se admirou com as pesadas imagens do filme "O que se passa no Haiti". Diz que as atrocidades eram ainda maiores entre 2003 e 2005, época anterior à retratada no filme, com os blindados demolindo as moradias. Nesse período, em que ele esteve no Haiti, não só os assassinatos aconteciam, era generalizada também a prática da tortura contra os líderes das comunidades ou qualquer um que supostamente detivesse informações de interesse das forças de ocupação. Mesmo não podendo se expor, Gabriel faz sua parte na luta contra a ocupação, se propondo a falar em reuniões e eventos.O depoimento de Gabriel foi o ponto alto do ato pela retirada das tropas do Haiti ocorrido em Fortaleza no dia 10 de outubro, na sede da CUT Ceará. Na mesa a CMP e o Sindiute . A representante da CMT, Eliane Almeida destacou que a entidade tomou posição pela retirada das tropas em seu último congresso em julho e propôs integrar o tema no dia internacional pela soberania alimentar, em 16 de outubro. Já Ana Cristina, do Sindiute, informou que o 6º Congresso do sindicato tomou a mesma posição e ressalta que a luta pela soberania do Haiti é a mesma luta pela soberania do Brasil, pela Amazônia e pelo Pré-Sal. O ato foi encerrado com o testemunho de Gabriel e com uma rodada de perguntas e intervenções dos mais de 30 presentes. Ao final se concluiu pela retomada do comitê contra a guerra, que antes já fizera campanha contra a guerra do Iraque e em defesa das vítimas do Katrina, para levar para ruas a luta pela desocupação do Haiti e batalhar por um representante cearense na conferência de dezembro.EM SALVADOR ...O Ato em Salvador ocorreu com a participação de militantes da Juventude Revolução, do MST, sindicalistas, professores, estudantes universitários e estudantes secundaristas. O ato aconteceu em uma das praças mais movimentadas da capital baiana - Praça da Piedade - e contou com a participação expressiva de todos que passavam no local e paravam para assistir a exibição do vídeo “O que se passa no Haiti”. Integrou ainda as atividades, a entrega de mais de 200 panfletos e coleta de assinaturas ao abaixo - assinado da campanha. A população respondeu de maneira positiva ao ato em solidariedade ao povo haitiano e rechaçaram essa política que causa guerra e fere a soberania das nações. Um trabalhador durante a exibição do filme indagou: “Mas não foi para isso que elegemos o presidente Lula, ele devia ajudar o Haiti de outra forma”.EM MACEIÓ...Na capital alagoana o ato em defesa do Haiti contou com a participação de cerca de 45 pessoas, dentre eles muitos jovens do Hip-Hop como os grupos Posse Atitude Periférica, Posse Guerreiros Quilombolas, Cia Hip-Hop, além do Sindpol e a Juventude Revolução. O ato ocorreu no calçadão do centro de Maceió, onde foi possível dialogar também com muitos trabalhadores que estavam transitando pelo local. Dentre as atividades desenvolvidas foi exibido o filme “O que se passa no Haiti” e apresentações de break, em que a juventude pode se expressar politicamente através da arte e cultura.EM SARANDI...No dia 9 de outubro a Juventude Revolução - IRJ organizou a exibição do Documentário de Kevin Pina no CEBEJA em Sarandi (PR). Contando com a participação de cerca de 70 pessoas, a única conclusão que se pôde chegar foi que as tropas brasileiras não devem ficar nem mais um dia no Haiti. Depois do ato foram postados 10 cartões ao presidente Lula exigindo a não renovação da MINUSTHA e a retirada imediata dos nossos jovens soldados brasileiros do Haiti.EM SÃO PAULO... O Ato ocorreu em frente ao gabinete do escritório do presidente Lula e contou com apoio de representantes do MST (Movimento dos Sem Terra), do MNU (Movimento dos Negros Unificado),da JR (Juventude Revolução) e de quatro haitianos, onde cada representante teve o espaço para dar a palavra e expressaram o incondicional apoio ao povo haitiano. Faixas foram erguidas e material distribuído a quem passava explicando a ação das tropas no Haiti.Em torno de 50 pessoas participaram do Ato que contou até com um poema que falava dos problemas sofridos pelo Haiti, as palavras ditas pelos representantes dos movimentos e organizações faziam menção ao massacre causado pelas tropas da ONU, na qual o Brasil vergonhosamente lidera a mando de Bush. Além disso fomos informados de vários atos nas seguintes locais:Porto Príncipe (Haiti), Nova Iorque (EUA), Cidade do México (México), Guadalupe, Martinica, Dominica, Espanha, França, São Carlos (SP), Caçapava (SP), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Pelotas (RS), Vitória (ES) e Juiz de Fora (MG).


NÃO A RENOVAÇÃO DAS TROPAS BRASILEIRAS NO HAITI
PELA RETIRADA IMEDIATA DOS NOSSOS JOVENS SOLDADOS DO HAITI
PELA DEFESA DA SOBERANIA HAITIANA


[1] Organizações haitianas que convocaram a Jornada Continental pela Retirada das Tropas brasileiras no Haiti:CATH – Central Autônoma dos Trabalhadores Haitianos, Louis Fignolé St. Cyr, secretário-geralPOS – Partido Operário Socialista Haitiano, Marc Antoine Poinson, secretário de Organização dos DepartamentosFESTREDH – Federação Sindical de Eletricidade do Haiti, Dukens Raphaél, porta-vozKORTA – Fednel Monchery, coordenador-geralGIEL – Grupo de Iniciativa dos Professores do Ensino Secundário, Léonel Pierre, secretário-geralADFEMTRAH – Seção das Mulheres da Cath, Julie Génélus, secretária-geralGRAHLIB – Grande União por um Haiti Livre e Democrático, Ludy Lapointe, coordenador-geralFOS – Federação dos Operários Sindicalizados, Raymond Dalvius, diretor de Relações PúblicasGRAMA – Grupo de Reflexão e Ação por uma Melhor Alternativa, Joseph Varnel, coordenador-geralKONOSPOL – Coletivo Organização Sócio-político, Lukem RoyelCONAFTAV – Coalizão Nacional das Mulheres Trabalhadores, D. BenoitKJKFF – Konbit Jen K. Fou Fey, John LaurenvilZafé Fanm – Darline SensuelKOSEFANM – Elisabeth AugustinKOPDA – Konbit Peyzan Pou Developman, Ansajo Réginal LegemeFANM GRAMA – Caroline GaspardAJAM/A – Associação dos Jovens Progressistas de Marmelade, Fénélus Sinel, tesoureiro-geralCONAREM – Coordenação Nacional Cidadã pela Reivindicação das Massas, Jean Lesly Préval, secretário de organizaçãoANAMMAPME – Jean Oscalhome FlorvilMPPG – Jean Phalière Rezil

2 comentários:

Anônimo disse...

It is an honor that my work is helping to bring the truth about Brazil's role in Haiti to light.

I would like to come to Brazil sometime in the near future with more evidence supporting your call for the withdrawal of troops from Haiti.

In solidarity,


Kevin Pina

DCE-UEPG (2008-2009) disse...

Congratulations Kevin Pina!!!

your work bring the truth about brazilian troops on Haiti.